Papo de amiga em 2011

- vai se fantasiar de noiva e tudo?

- sim, vou. vou fazer o que nunca fiz. vou casar, usar um vestido lindo – que passarei dias escolhendo – , assinar papel e declarar todo o meu amor. só não garanto igreja, prefiro algo mais intimista. um jardim de uma bela casa, quem sabe.

- é. eu também. outro dia vi um vestido lindo numa revista e até me empolguei.

- quem diria! e como era?

- ah! moderninho, sabe? de alcinha e lacinho, não muito longo. bem bonito.

- sei…também quero um assim. nada de vestido “bolo de noiva”, né? é bem cafona. e vem cá, por que não arrancou a folha da revista, hein? você poderia colar no mural dos planos e ideais!

- hahahaha! imagina? colar lá no quarto do bruno pra ele levantar todo dia já entrando em estado de choque! pensando: – olha essa maluca! já quer casar!

- hahahahaha! pagaria pra ver isso! bom, mas farei isso mesmo amiga. sem medo. ao menos quero isso. quero um  amor verdadeiro e para toda a vida. quero casar, dividir alegrias e tristezas, sonhos e ideais assim que nem filme mesmo, sabe?!

- sim. até por que, quem disse que a gente deveria viver sem sonhar?

- pois é. eu nunca vou desistir.

Santa chuva

“Não há porque chorar por um amor que já morreu,
Deixa pra lá, eu vou, adeus.
Meu coração já se cansou de falsidade”

A chuva veio pra avisar o quão triste e insuportável é a dor do fim. A chuva não me deixa esquecer, pois o barulho da água sob os telhados me diz: chora, deixa a água rolar, deixa lavar, deixa secar e depois chora de novo. Faça que nem eu. Molhe, deixe o céu escuro, deixe o humor de lado, pois logo depois vem o vento para limpar, o Sol para brilhar e você para animar. Permita-se, sofra, aprenda e volte a viver sendo melhor do que você nunca foi.

Parou de chover.

O fim é apenas um novo começo.

Ela fez tudo errado “pensando” com o coração. Ela fez TUDO errado. Ela promoveu lágrimas e  rancor. Ela promoveu a dor. Ela tinha dúvidas, ela tinha sonhos, ela tinha desencontros. Ela tinha desejo de ser feliz, ela tinha desejo de liberdade, ela tinha desejo de se encontrar. Ela tinha tudo, mas aquilo teimava em se mostrar um nada. VAZIO. Assim, grande mesmo. Ela queria emoção, ela queria calor, ela queria companhia, ela queria não se sentir tão só. Ela queria dividir, ela queria sorrir, ela queria e queria e queria. Ela só queria amar, amor. De verdade e para sempre. Ela queria não ferir, ela queria não ser ferida, ela queria pensar sem sentir. Ela queria uma desculpa, ela queria um motivo, ela queria uma chance. Ela queria ser bastante. Feliz, sozinha, acompanhada. Ela queria. Ela será.

Quase lá.

Quase minto, quase sinto, quase enxergo. Quase prevejo, quase beijo, quase guardo o cheiro. Quase fecho os olhos, quase quero de novo, quase desejo. Quase falo tudo, quase falo nada, quase deixo rolar. Quase olho, quase toco, quase deixo tocar. Quase abraço, quase esqueço, quase adormeço. Quase provoco, quase invoco, quase nego. Quase insulto, quase conforto, quase quero chorar. Quase vivo, quase não sinto, quase não sei mais quem sou. Quase apago, quase desperto, quase deixo guardado. Quase me movo, quase fico parada, quase preciso de um empurrão. Quase confundo, quase confundo-me, quase ilusão.

Quase permito, e o que sobra? Nada.

Nota mental: viver só é bom se puder viver o tudo. Quase e nada a gente deixa para depois, ou então para o nunca. É isso.

Amores serão sempre amáveis.

Maisamô e poesia por uma vida menos ordinária.

Hora de tomar vergonha na cara e aproveitar a vida como se fosse um eterno verão.

São pelo menos 4 dias difíceis para quem tem insônia em grande parte do Brasil. Do que eu tô falando? Da maravilha do Horário de Verão! Como se já não bastasse a tal da hora perdida, que faz um estrago no sono durante uma semana, o tempo chuvoso e frio na Maravilhosa é um claro sinal de bullying contra insones cariocas.

Se liga na triste cena. Você  fica ligado, bem acordado, até bem tarde da noite - ligado tipo ”tomei 5 xícaras de café no dia”- e quando finalmente cai em sono profundo, já é  hora de levantar sorrindo, no salto e sacudindo a poeira. Sabe aquele edredom quentinho e gostoso? Todo grudado no seu belo corpinho sem dar sinais de que quer sair. Aí, imagina, fica um tal de tira edredom, volta edredom, tira edredom, volta edredom. Tá. Edredom vencido, é hora de sentar na beira da cama (até porque quem é ruim de acordar não dá um salto de primeira…não, não, não. Tem que sentar e ficar uns 5 segundos. Regra máxima), daí você olha pra cama, ela pisca pra você e por fraqueza, você acaba deitando mais um pouquinho. Volta edredom.                         Tira edredom. Levanta no salto.

 Quem disse que a vida é fácil, amiguinho?! O jeito é se acostumar logo com isso, parar de escrever no blogs de madrugada, tomar aquele banho morninho,tomar um chá de camomila, fechar as cortinas do quarto e rezar pro seu corpo se adaptar logo com isso. Até porque, quando a gente se acostuma, volta tudo ao normal novamente.

(só precisava compartilhar todo o meu sofrimento. obrigada pela atenção)

Garotas falam fofo, garotos falam foda.

Acho fofo quando o céu fica com essa tonalidade rosa de final de tarde de Outono, sabe? É tão gostoso que não consigo parar de olhar. Numa tarde dessas, voltando pra casa de ônibus, fiquei até com dor no pescoço de tanto olhar pra cima pela janela. Um escândalo para a visão e um carinho no coração.

Já percebi. Acho foda também.

E aquele filme que eu te falei? já conseguiu assistir?

Sim. F-O-D-A! Muito foda mesmo. Original, angustiante, não conseguia parar de mexer as pernas por conta daquela trilha sonora, que aliás, muito foda. Sério. Dava vontade de correr junto com a Lola!

Sei como é. Também gritava junto. Meu deus, muita agonia! E achava fofo ver todas aquelas possibilidades pra dar certo a história. Se bem que no final achei que ela fosse correr com o dinheiro!

Porra! Seria foda!

Opa! Chegamos! Tô faminta!

(ele abre a porta do carro)

(ela pensa: oh, que fofo!)

(ele pensa: ela é foda!)

Invento clichês bobocas no começo da noite parte II

“De anca na anca dela
E amanheça de cabeça dentro dela”.

Só porque acho adequado e complementa.

Invento clichês bobocas no começo da noite

Ele está no cúmplice olhar, no silêncio compartilhado, no falatório caloroso e risonho, no abraço que acompanha um longo suspiro, nas discussões matinais (e acredite, não só nas matinais), no jantar improvisado no sofá, no encontro de pés calçados com meias na beira da cama, na faxina dividida, no preparo em dupla de um prato qualquer – pão com ovo? – na palavra amiga, na palhaçada que você faz para divertir, e também naquela que você faz para irritar. Ele está nas atitudes mais malucas, no fato de te chamarem de louco (a), no sono perdido, no sonho forçado, no gesto mais não pensado, no não julgamento, no perdão, na compreensão e na piscadinha que quer dizer que você entende. Ele está no zelo que conforta, na preocupação singela, num mimo qualquer e na vontade de ser mimado. Ele está no reconhecimento, na admiração, num parabéns sincero, no suor e no choque delícia que dá na pele. Ele está nas palavras quentes e malcriadas ditas bem ao pé do ouvido, no agarrar com força, no aperto que não quer soltar e na mordida bem forte cravada com todos os dentes. Ele está numa mensagem sacana enviada no meio da semana, no rubor da face, no calafrio controlado e principalmente no descontrolado. Ele está na brincadeira que você mais gosta e que fica incrivelmente tão mais divertida a dois, no grito bravo ou choroso, no gesto mais intrínseco que você começa a querer compartilhar, e por aí vai.

O certo, ou quase isso, é que ele simplesmente está onde às vezes nem imaginamos que ele esteja. Sacaninha, né? Pois o romance é assim. Ele não tem regras, mas tem seus ajustes e encaixes. Ele não tem hora pra chegar, mas costumam dizer que ele tem a dura hora de ir embora. Ele não tem idade, mas se tivesse certamente seria muito velho, calejado e experiente. Ele não tem vida, mas com certeza é ETERNO e onipresente; mesmo que algumas pessoas tenham aquele medinho dele. Mas também, quem manda chegar como num sopro longo e intenso esbravejando alto e sonoro um “quié,vai encarar?”. O que eu sei é que há boatos por aí que dizem que quando o romance é do bom, ele não é bobo e nem vem com calma. Ele vem do interior mais longíquo e costuma se alojar em qualquer canto e simplesmente tira as botas velhas, o chapéu maltrapilha e fica. É o que dizem. Juro. Já ouvi.

7 vidas.

“Quando chega a hora, precisa saltar sem hesitar” – Amélie Poulain

Olivia percebeu numa manhã de Junho que a caixinha de lembranças que ela guarda dentro da gaveta do criado-mudo estava quase pela metade. Assustada,  ela começou a  revirar tudo e foi puxando lá no fundo da memória como tinha acontecido cada uma.

Pensou em seguida: – será que posso jogar alguma fora? pois, caramba, está ficando sem espaço…

Olivia, então, como num estalo, visualizou rapidamente a solução. Ela levantou, tomou um longo banho ao som de Al Green, escolheu a sua roupa mais bonita de Outono, pôs seu chapéu, pegou as chaves de casa e foi para rua. Quando Olivia retornou à casa, havia mais 3 caixas como àquela em sua bolsa de pano.

Olivia pensou: – Pronto. Vou usar tudo, e, se precisar de mais, já sei onde encontrar.